sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Projeto UCA no Fisl9

Denise Vilardo comentou em: 19/04/2008 00:13

Léa Fagundes, do projeto UCA (Um computador por aluno) em Porto Alegre, e a professora Roseli de Deus Lopes, da USP, que também está no UCA, falaram hoje das experiências da aplicação dos laptops nas escolas. Os resultados são sempre impressionantes.

"Em SP, escolhemos uma escola que tem investimento federal, estadual, municipal, as crianças têm merenda, uniforme e, mesmo assim, o rendimento não era bom. Levamos então a tecnologia para a sala de aula, para tentar responder por que isso acontece, qual é a solução", explicou Roseli Lopes. Segundo ela, a mudança de atitude foi enorme.


"Precisávamos de 30 alunos, apareceram outros 70 no sábado, que não tinham o que fazer e quiseram ir para a escola, para ajudar no projeto. Mesmo alunos de outras séries, que não eram o foco, quiseram participar."


Lopes fala em tecnofagia, se apropriando de uma idéia do Mario de Andrade. No Brasil, as crianças se apropriaram da tecnologia da OLPC (One Laptop Per Child) e transformaram totalmente a experiência. "As crianças começaram a desenvolver interesse por criar roteiros, por conta dos filmes e fotos que faziam. Não só observar, mas se tornarem protagonistas, criadores."



Léa fez a sua apresentação, dizendo que é preciso modificar o pensamento dos pais, dos professores, e mudar todo o modelo educacional, linear, para um modelo livre, onde as crianças sejam também protagonistas.
"Estamos numa era cibernética, um espaço que se comunica em diferentes direções", disse, enquanto mostrava uma imagem do artista Escher, para explicar o que dizia (imagem abaixo).


"Temos uma educação que reprime, não uma educação que liberta. Como podemos querer uma democracia se esse modelo não ajuda? Pesquisas mostram que a criança, quando nasce, tem apenas o ritmo biológico. Mas à medida em que cresce, vai precisando obedecer regras, porque um adulto diz o que pode e não pode. Ela aceita as regras não porque compreende, mas pelo poder da força. Então, os cidadãos obedecem por medo da punição, não por se colocar na posição do outro. Essa tecnologia pela primeira vez coloca a oportunidade de autonomia, a liberdade como elemento da educação. Jogar os laptops para escola é também buscar novos modelos de uso. O professor precisa reaprender".


Para ela, a comunidade do softawre livre desenvolveu um sistema de colaboração ideal, onde cada programador, seja de uma empresa grande ou pequena, tem o mesmo status. E onde quem não sabe pode perguntar, sabendo que receberá ajuda. E seria esse o modelo de educação que as escolas precisam.

Fonte: http://www.softwarepublico.gov.br/fisl9/

3 comentários:

  1. Otavio Carvalho comentou em: 19/04/2008 06:53

    A Educação que reprime

    Por pura reflexão, situo um ponto de partida ao projeto dos lap tops nas escolas para calçar a imaginação:

    "Temos uma educação que reprime, não uma educação que liberta. Como podemos querer uma democracia se esse modelo não ajuda? Pesquisas mostram que a criança, quando nasce, tem apenas o ritmo biológico. Mas à medida em que cresce, vai precisando obedecer regras, porque um adulto diz o que pode e não pode. Ela aceita as regras não porque compreende, mas pelo poder da força. Então, os cidadãos obedecem por medo da punição, não por se colocar na posição do outro. Essa tecnologia pela primeira vez coloca a oportunidade de autonomia, a liberdade como elemento da educação. Jogar os laptops para escola é também buscar novos modelos de uso. O professor precisa reaprender".


    Eliminada esta barreira (a repreensão), daí em frente é dar força à imaginação professoral e prover meios à Educação.


    Faço um depoimento por contribuição de direito e por indignação de contextos da escola pública de alguns anos atrás, onde os Pais e Mestres se encontravam nas Associações, por força da intencionalidade aberta por angulações de propósitos.Por incrível que pareça, os maiores argumentos na época eram a carência de recursos e os apelos do mestre escola à colaboração pecuniária dos afiliados das APM´s.Nos meus olhos foi compressão de medidas que afasta a participação paternal e isola o professorado no culto da colaboração resultável.

    Será que isso ainda acontece no Mundo Escolar?

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  2. Cybele Meyer comentou em: 19/04/2008 22:20

    Repreensão X Liberdade

    Acredito que muitos professores têm receio em utilizar os recursos que a informática propicia por intimidação diante do desconhecido e pela consciência de que esta geração, que aprendeu a andar ao mesmo tempo em que aprendeu a manusear o mouse, tem pleno domínio desta ferramenta.

    Porém o professor tem que mudar o foco e saber que na educação, o uso da internet como ferramenta colaborativa coloca o professor como estimulador na troca, no debate e na crítica frente ao conhecimento.

    Ele deve ser o mediador no reconhecimento do conhecimento que está no outro e na valorização do conhecimento que é adquirido a partir de experiências obtidas dentro e fora dos muros da escola. A sociedade, como um todo, é um grande centro de aprendizagem, porém a escola continua, e cada vez mais, como a principal responsável pelo processo ensino-aprendizagem.

    Penso que por esta concepção a repreensão deva sair de foco e entrar a liberdade. A liberdade de aprender, de perguntar, de colaborar, de ensinar.

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  3. Denise Vilardo comentou em: 23/04/2008 12:34

    Medo e liberdade

    Obrigada Otávio e Cybele pelas colaborações sempre bem vindas.

    Como todo novo, tende a ser rejeitado por puro medo do desconhecido.

    Imaginem... estamos mexendo com muita novidade ao mesmo tempo. Estamos falando de mudanças radicais, não apenas na utilização de equipamentos "amedrontadores" - porque são ainda uma incógnita para a maioria dos professores - mas, também na atitude. Atitude do professor frente ao aluno - na relação pessoal e intransferível - e frente ao próprio conhecimento - em que ele, o professor, não é mais o único e inquestionável provedor.

    Essa proposta chega numa instituição-escola que ainda vive no final do séc 19, início do 20... um lugar em que as pessoas acreditam que conhecer é o mesmo que passar informações, com um grupo de crianças e adolescentes sentadas e quietas, apenas ouvindo/recebendo o que o mestre tem a dizer... e que, quando isso não acontece - por total "saudabilidade" das crianças e jovens - a consideração feita é que há indisciplina e liberdade demais.

    E, esquecemos que o objetivo principal desse lugar é ensinar e aprender, reconstruindo o conhecimento humano de maneira curiosa, criativa e competente.

    Para que isso ocorra, é preciso que tenhamos um ambiente de liberdade: para pensar, para criar, produzir e expressar.

    Um grande abraço a todos!

    Denise

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