sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O desafio de fazer um PC para a educação

Denise Vilardo comentou em: 07/05/2008 17:39

O desafio de fazer um PC para a educação

Representantes do grupo interministerial da Presidência e de outros segmentos da sociedade discutem a proposta do laptop de US$ 100, feita pelo MIT, que pretende quebrar o paradigma do preço dos micros e dar um choque de qualidade na educação.

Confira aqui o que disseram os participantes do debate: Mesa-redonda


Foto: Divulga��o O laptop de US$ 100, proposto pelo pesquisador Nicholas Negroponte, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), sacudiu o mundo. Assustou a indústria de computadores, chegou às Nações Unidas – que anunciou seu apoio à iniciativa, no final de janeiro, no Fórum Econômico Mundial, em Davos – e está na pauta dos governos da Argentina, China, Egito, Índia, Nigéria e Tailândia, além do Brasil, onde já provocou reações. Setores empresariais, universitários e governamentais afinal começam a discutir alternativas para o uso intensivo do computador na educação. Para entendê-las, ARede organizou uma mesa-redonda, com representantes do grupo interministerial da Presidência da República que avalia a iniciativa do MIT e de outros segmentos da sociedade. O coordenador do grupo e assessor especial da Presidência, Cezar Alvarez, anunciou que, “enquanto o laptop não vem”, o governo encaminhou ao orçamento da União emenda no valor de R$ 260 milhões para projeto que pretende instalar laboratórios de informática em 6.877 escolas de ensino médio, de modo que, no final de 2006, todas as cidades brasileiras tenham, pelo menos, uma escola atendida.

Alvarez também quer montar “um fórum permanente, capaz de oferecer, ao novo governo a ser eleito em 2006, um projeto estratégico de inclusão digital”. Os primeiros protótipos do laptop do MIT estão previstos para o terceiro ou quarto trimestre. Por isso, diz ele, o grupo de trabalho está estendendo os seus prazos e vai passar ao desenvolvimento de subprojetos, de forma associada, e ampliar os debates.

Do que se trata, afinal, o laptop de US$ 100? É um dos elementos do One Laptop Per Child (OLPC), um amplo projeto educacional do MIT, que visa radicalizar e massificar o uso do computador nas escolas, transformando os processos de ensino e aprendizado. Um equipamento tão mais barato, contudo, ameaça quebrar o modelo da indústria de computadores, que, em 20 anos, não conseguiu reduzir os preços dos PCs, nem evoluir para atender fatias de menor renda da população. A adesão do governo brasileiro se daria pela encomenda de 1 milhão desses laptops a uma ONG (também chamada OLPC), a ser formada pelo MIT. Para a sua fabricação, foi selecionada a Quanta, de Taiwan, na China. Outros apoiadores do projeto são AMD, Red Hat, Brighstar, Nortel, Google e News Corp.

No Brasil, há quem defenda a oferta do equipamento atrelado à prestação de serviços, e há quem reclame do governo a presença nacional produzindo partes e peças dos laptops, ou comprando outros modelos de equipamentos, projetados aqui mesmo. Além daqueles que apontam maiores oportunidades no desenvolvimento de software livre e de portais e conteúdos educacionais – como faz, entre outros, o pesquisador do MIT, David Cavallo, de mudança para o Brasil.

O perigo de condicionar a adesão brasileira aos interesses industriais, no entanto, estaria em impedir uma ação de curto prazo, diz Roseli Lopes, professora da Escola Politécnica. Ela aposta na proposta do MIT para dar um choque de qualidade na educação brasileira. Adverte, ainda, que, ao vincular o dispositivo a um serviço, os prestadores desses serviços precisam ser independentes das operadoras ou dos fornecedores dos equipamentos. Quem deve produzir os conteúdos são professores, alunos e pessoas envolvidas num ecossistema focado na inovação em educação, afirma.

A Samurai, do empresário Carlos Rocha, o Centro de Pesquisas Avançadas Wernher von Braun, a HP e outras empresas insistem, cada uma a seu modo, na idéia do laptop como acessório de um serviço. A definição de serviço, no entanto, varia, podendo envolver comunicação, suporte e operação de infra-estrutura de TI, geração de conteúdos ou treinamento de professores. Todos buscam um modelo de negócios equivalente ao do celular pré-pago – em que os custos dos assinantes são subsidiados pela tarifa de uso da rede celular, paga pela telefonia fixa. Ou seja, que torne o uso do computador em educação auto-sustentável, independente de recursos públicos.

A Samurai oferece o programa Rede Escola Integrada, já experimental em escolas de São Paulo (parceria com Bit Company, Siemens e TVA-Abril) e Brasília. É um ambiente com aplicações para edu­cação e área de colaboração, 35 a 40 computadores em sala especial – um por aluno –, usados em todas as disciplinas; além de um outro espaço, aberto à comunidade com até 16 terminais e atividades cobradas. A prestação de serviço, nesse caso, inclui formação de professores, suporte e operação da infra-estrutura, baseada em equipamentos reciclados e Linux. Os custos seriam cobertos pelo uso dos serviços digitais comuni­tários, pré-pagos (cerca de R$ 39,90 por mês), pu­blicidade e patrocínio. Segundo Carlos Rocha, o fato de o serviço exigir uma ativação (a conexão à rede) viria incorporar os interesses das operadoras de telefonia no atendimento desse público.

Variante dessa associação com as telecomunicações é o PIC, lançado pela Telefônica. Trabalha ligado a um provedor de web e é dirigido às classes C e D, com software proprietário, e sem foco na educação. O Centro de Pesquisas von Braun também desenvolve, com a Semp Toshiba, um computador para conexão à internet, cujo grande diferencial seria identificar, remotamente, não apenas o usuário, como os serviços que ele acessa, como VoIP. “Você não compra a máquina, compra a conexão”, explica Dario Sassi Thober, diretor do von Braun. As especificações desse notebook, batizado de Tupimirim, serão liberadas até meados do ano, e tem custo estimado entre US$ 180 e US$ 250.

Da mesa-redonda de ARede, participam David Cavallo, do Media Lab/MIT, Cezar Alvarez, da Presidência, Roseli Lopes, da Poli/USP, Marcelo Zuffo, do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI/USP), Victor Mammana, do CenPRA – os três integrantes do grupo de trabalho interministerial, Hugo Valério, diretor da HP Brasil, Mário Ripper, consultor, Rodrigo Abreu, presidente da Nortel, e Samuel Lago, diretor de portais educacionais da Positivo.

Mesa-redonda, na íntegra, aqui:

http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=509&Itemid=177

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