sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Governo enterra projeto de comprar um laptop por aluno

Denise Vilardo comentou em: 09/07/2008 01:25

Governo enterra projeto de comprar um laptop por aluno

Por Pedro Simão Marinho*

A semana se iniciou com o que seria uma boa notícia no Jornal da Câmara. A matéria falava do potencial transformador da educação que seria propiciado pelo Projeto UCA: Um Computador por Aluno.
Essa possibilidade transformadora teria sido revelada numa análise, feita pelo Deputado Paulo Lustosa, do PMDB/CE, das cinco atuais experiências do uso do laptop.
O Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica publicou na terça passada o documento "Relatório da visita às escolas experimentais do Programa Um Computador por Aluno".

Hoje, cai uma "bomba" publicada na Folha de S. Paulo. A matéria, de Kenndedy Alencar e Johanna Nublat, da sucursal da Folha em Brasília, está transcrita mais abaixo.
A notícia é a do "enterro" do projeto UCA. O Governo Federal teria jogado a toalha. Mas, segundo o jornal, seria mantido um programa parcial, no que seria um teste.
Contudo, afirma a Folha, ele serviria apenas para manter-se o discurso de que o governo não desistiu da idéia de um computador por aluno.
A matéria deixa claro que a opção é pelos laboratórios de informática na escola.
Afirma a Folha que, nas palavras de um ministro cujo nome não foi citado, os laboratórios das escolas fora do horário escolar funcionariam como "lan-house". Será que agora querem assegurar o circo, após terem garantido o pão? Panes et circenses, que é título de uma música de Gilberto Gil, aliás ministro de Lula, e de Caetano Veloso, e que foi maravilhosamente cantada por Marisa Monte.

A leitura da matéria que a Folha publica me leva a uma série de indagações/inquietações?
O que se fará agora? Extingue-se o GT, cuja nova constituição foi definida por portaria do Secretário de Educação a Distância do MEC recentemente publicada?

Haverá sentido em se levar a cabo o que o jornal chamou de teste, quando não há mais horizonte algum para além dele?
Venceu a turma que desde o início era contra a idéia do laptop?
Teria sido uma possível ganância dos fabricantes a "bala que assassinou o projeto"?
Ou quem acabou matando a idéia foi um slogan [o dos US$ 100] que jamais se concretizou?
Como as escolas dos 300 pilotos, que se iniciariam ainda em 2008, verão essa decisão?

É muita pergunta, numa legítima inquietação para todos aqueles que, de uma forma ou outra, se dedicaram a essa idéia nos últimos dois anos, movidos apenas por ideais, sem ganhar um centavo pelo trabalho. Eu sou um deles.

*Pedro Simão Marinho é Consultor do GT do Projeto UCA - SEED/MEC e professor da PUC - Minas

Nenhum comentário:

Postar um comentário